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Sarau de Mobilização do Curso de Letras
23/7/2013



Texto lido pelo professor Ozíris durante o sarau.

 

A GENTE SE ACOSTUMA, MAS NÃO DEVIA II

 

Ozíris Borges Filho

  

“Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia...”

 

A gente se acostuma às barbaridades da Reitoria: é vaga de professor que vai pra lá, é espaço que falta aqui: salas de aula, salas de professores, salas para setores administrativos, laboratórios... E como não há espaço, a gente se acostuma às divisórias, à iluminação deficiente, às vozes dos colegas que se intercruzam vindas das outras “repartições”, a um aperto aqui, a um empurrãozinho ali. E de tanto espaço exíguo, a gente se acostuma a parecer ratos num labirinto pavloviano e ainda assim a nos considerarmos humanos.

 

A gente se acostuma a prédios em construção que não chegam ao fim. E aceitando as construções intermináveis, aceitamos o pó. Aceitamos andar mais rápido e usarmos nossos livros como cobertura. E se o barulho incomoda, a gente se acostuma a falar mais alto, a fechar as janelas, a sentir calor e sufoco...

 

A gente se acostuma à falta de estacionamento, a chegar atrasado depois de rodar longos minutos à procura de vaga. E porque só tem vaga muito longe, a gente se acostuma a andar desesperado, a expor o veículo, adquirido honestamente, aos larápios de plantão. E porque o veículo está desprotegido, a gente se acostuma a rezar durante a reunião ou aula para que o mesmo ainda esteja lá quando voltarmos.

 

“A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.” E se no fim de semana ainda há provas, artigos e dissertações a corrigir, a gente acorda mais cedo, vai dormir mais tarde e ainda fica satisfeito com a ideologia do dever cumprido!!!    

 

A gente se acostuma às fofocas de banheiro. Às mentiras do corredor, as de pernas curtas e aquelas de passos largos. Ao palavrório e às promessas. E de tanto se acostumar ao disse-que-me-disse, a gente aceita viver numa rede de subentendidos e vigilância. E o panóptico foucaultiano se instala sub-repticiamente justamente no lugar em que devia ser mais combatido.

 

A gente se acostuma à falta de professor, mas não devia. E porque não tem professor, a gente se acostuma a não ter aulas, a aprender pela metade, a perder o semestre. E porque somos poucos professores, a gente se acostuma a pegar mais aulas, e não ter mais tempo para estudar e publicar. A gente se acostuma às reuniões infindáveis e inconclusivas, ao tempo roubado à convivência familiar e ao descaso das autoridades.

 

“A gente se acostuma para não ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. A vida que, aos poucos, se gasta, e que de tanto acostumar, se perde de si mesma.”

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